O governo de São Paulo decidiu que uma empresa será a responsável por
instalar equipamentos de tecnologia nas escolas, treinar professores
para as atividades e até desenvolver conteúdos digitais para as aulas.
Segundo as regras anunciadas ontem pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), 40% das aulas passarão a ser dadas com esses conteúdos.
Haverá, por exemplo, vídeos de cinco minutos para a explicação de conceitos e jogos para fixação de conteúdo.
O projeto abrange todas as disciplinas dos colégios estaduais de 5º ao 9º ano dos ensinos fundamental e médio.
O investimento previsto pelo governo é de R$ 5,5 bilhões, em dez
anos. O valor é cinco vezes maior do que o reservado para este ano para
reformas nas escolas.
A empresa ainda será escolhida. Segundo a Secretaria da Educação, o governo vai analisar critérios técnicos.
A pasta prevê que em 2013 comece a instalação de lousas digitais
(sensíveis ao toque e conectadas à internet). Depois, serão distribuídos
“dispositivos móveis” (como notebooks ou tablets).
Com a utilização de conteúdos digitais, hoje escassos na rede, o
governo visa melhorar seu ensino -que apresentou pouca melhora no ensino
fundamental e recuo no ensino médio, segundo o Idesp (avaliação do
Estado).
Os conteúdos deverão seguir o currículo da rede, disse a Secretaria da Educação.
Pesquisas nacionais e internacionais que abordaram o uso de
tecnologia na educação não detectaram melhora no rendimento dos alunos.
Uma das hipóteses é a de que o conteúdo e a formação dos professores
eram inadequados -por isso, o aluno se distraía com a tecnologia.
De acordo com o governo, o projeto vai melhorar o interesse dos alunos e a qualidade das aulas.
A decisão ocorre em meio a uma crise. Nos últimos meses, o governo chegou a chamar até docentes reprovados no teste de admissão.
Presidente da Apeoesp (sindicato docente), Maria Izabel Noronha diz ser favorável à incorporação da tecnologia nas escolas.
Porém, ela critica o fato de uma empresa ser responsáveis pelos conteúdos. “É uma invasão”, disse.
A presidente do sindicato também crítica a política do governo. “Não
tem recursos para nossa valorização, mas tem para essa parceria privada?
Parece até que querem cobrir a falta de professores com esses
conteúdos.”
A Secretaria da Educação diz que terá de aprovar os conteúdos e que já há política de valorização aos docentes.
Fonte: Folha de S. Paulo
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